Sem nós

Eu não sei bem explicar em que momento escolhi isso. Não sei dizer se a culpa é minha, sua, nossa.

Talvez nem exista um culpado, só seja assim porque é assim que é pra ser.

O que eu sei é que resolvi que iria viver sem nós. E quando eu resolvi isso me doeu, como se eu estivesse perdendo muito, e estava.

Perdi seu sorriso, seu beijo, seu carinho, seu corpo e tudo o que incluía você.

Pareci louco?

Talvez seja, e não foi só isso que eu perdi.

Quando escolhi viver sem nós perdi minha insegurança, perdi o medo do e se, perdi as noites mal dormidas e choradas, perdi as neuras e dúvidas, perdi o “é isso mesmo que eu quero pra mim”, perdi o “estou sempre feliz menos quando”, perdi inúmeras coisas que provavelmente nunca mais vão voltar.

Perdi nós, todas as amarras e confusões, perdi os nós. Ou os desfiz.

Nunca concordei tanto com uma frase de embalagem…Também nunca imaginei que 8 panos de prato e um skate me fariam chorar sorrindo por dentro.
Ontem eu e uma amiga estávamos num restaurante esperando outros amigos. Um menininho chegou dizendo: Oi, com licença, desculpa atrapalhar. Vocês querem comprar pano de prato?
Primeiro me surpreendi pela educação e pelo brilho no olhar daquele menino - sem brincadeira ele já tinha me ganhado naquele minuto.
Pensei que eu estava mesmo precisava de panos, olhei para a minha amiga e ela disse que não tinha dinheiro, mas também demonstrava o mesmo ar de espanto e curiosidade.
Eu simplesmente perguntei o preço e ele respondeu: 4 por 10 moça, mas se você levar 8 eu vou poder ir andar de skate! (E aquele olho brilhando ali  naquele rostinho) 
Fiquei curiosa e, enquanto procurava 20 reais nos bolsos, perguntei: Você gosta de andar de skate?
E ele: Gosto sim, muito! Eu ando na pista que tem aqui atrás, você conhece?

Eu: Não, não conheço. Mas olha, pega aqui, eu quero os 8 panos.
PAUSA - você aí que está lendo, já viu alguma criança recebendo um presente que queria muito? Se sim, por favor imagine essa reação…
Ele: Não acredito! - e bate as mãozinhas na mesa - É sério? - me olhando de novo com aquele olho brilhando
Eu: Sim, é sério! Pode ir andar de skate.
Ele: Nossa, muito obrigado! Eu te amo! Brigado mesmo, tchau!
E ele saiu saltitante pela porta, chamando pela tia. E nesse mesmo momento tanto eu quanto a minha amiga estávamos tentando segurar as lágrimas.
Mas olha, ainda não acabou não. Eu já estava mais do que realizada, juro que já tinha ganhado o dia com isso. E aí, do nada, essa mesma amiga me cutuca e manda olhar pra porta.
Os mesmos olhos brilhantes estavam ali, mostrando o skate, fazendo umas manobrinhas radicais pra mostrar pra gente. Não tivemos como não aplaudir e abrir de novo o sorriso úmido de lágrimas.
Ele pegou o skate e saiu dizendo tchau e mandando muitos beijos.
Não sei dizer o que foi que mexeu mais comigo, não sei nem se, isso tudo não passou de um monte de blábláblá para você que está lendo, mas nunca pensei que simples panos de prato significariam tanta coisa.
E quanto a foto? Obrigada menininho sorridente, de olhos brilhantes. Seu ato gentil me transformou, muito!

Nunca concordei tanto com uma frase de embalagem…
Também nunca imaginei que 8 panos de prato e um skate me fariam chorar sorrindo por dentro.

Ontem eu e uma amiga estávamos num restaurante esperando outros amigos. Um menininho chegou dizendo: Oi, com licença, desculpa atrapalhar. Vocês querem comprar pano de prato?

Primeiro me surpreendi pela educação e pelo brilho no olhar daquele menino - sem brincadeira ele já tinha me ganhado naquele minuto.

Pensei que eu estava mesmo precisava de panos, olhei para a minha amiga e ela disse que não tinha dinheiro, mas também demonstrava o mesmo ar de espanto e curiosidade.

Eu simplesmente perguntei o preço e ele respondeu: 4 por 10 moça, mas se você levar 8 eu vou poder ir andar de skate! (E aquele olho brilhando ali  naquele rostinho) 

Fiquei curiosa e, enquanto procurava 20 reais nos bolsos, perguntei: Você gosta de andar de skate?

E ele: Gosto sim, muito! Eu ando na pista que tem aqui atrás, você conhece?

Eu: Não, não conheço. Mas olha, pega aqui, eu quero os 8 panos.

PAUSA - você aí que está lendo, já viu alguma criança recebendo um presente que queria muito? Se sim, por favor imagine essa reação…

Ele: Não acredito! - e bate as mãozinhas na mesa - É sério? - me olhando de novo com aquele olho brilhando

Eu: Sim, é sério! Pode ir andar de skate.

Ele: Nossa, muito obrigado! Eu te amo! Brigado mesmo, tchau!

E ele saiu saltitante pela porta, chamando pela tia. E nesse mesmo momento tanto eu quanto a minha amiga estávamos tentando segurar as lágrimas.

Mas olha, ainda não acabou não. Eu já estava mais do que realizada, juro que já tinha ganhado o dia com isso. E aí, do nada, essa mesma amiga me cutuca e manda olhar pra porta.

Os mesmos olhos brilhantes estavam ali, mostrando o skate, fazendo umas manobrinhas radicais pra mostrar pra gente. Não tivemos como não aplaudir e abrir de novo o sorriso úmido de lágrimas.

Ele pegou o skate e saiu dizendo tchau e mandando muitos beijos.

Não sei dizer o que foi que mexeu mais comigo, não sei nem se, isso tudo não passou de um monte de blábláblá para você que está lendo, mas nunca pensei que simples panos de prato significariam tanta coisa.

E quanto a foto? Obrigada menininho sorridente, de olhos brilhantes. Seu ato gentil me transformou, muito!

Não hoje.

Um dia você vai entender que eu te conheço de trás pra frente, e sei de todos os seus defeitos - que eu intimamente chamo de charmes.

Não hoje. Hoje nem você se conhece tanto assim.

Um dia você vai lembrar que eu sei que você não gosta de cebola, de filmes de terror e nem de abelhas.

Não hoje. Hoje você ainda não consegue admitir essas coisinhas bobas.

Um dia você vai reparar como nossa conversa é leve, como a convivência é fácil, como realmente existe uma intimidade transparente.

Não hoje. Hoje você repara em saias curtas, pernas torneadas e no batom que você vai borrar mais tarde.

Um dia você vai se sentir completo o suficiente para pensar em mim como o algo a mais para a sua vida.

Não hoje. Hoje você ainda quer alguém que complete sabe lá o que - porque a gente nunca sabe.

Um dia a gente vai se encontrar de novo, e se dar conta que tudo sempre vai ser como era antes, como é agora e como sempre foi.

Não hoje. Hoje ainda não é a hora, e mesmo com a estática que rola quando estamos perto, sabemos disso.

Um dia, eu vou saber que é hora de trocar essas duas palavras por uma só, e você? Você vai saber a mesma coisa.

Não, hoje não será um dia, será hoje.

Minha mãe tinha razão

Um dia eu virei pra minha mãe e disse que a amava

Ela me olhou com aquele sorriso gigante que levantava até os pentinhos que ela usava no cabelo e disse que me amava mais

Eu achei muito injusto e disse que não - eu que amava mais, porque ela dividia o amor todo por três filhas e eu tinha amor pra uma mãe só

Ela riu do meu convencimento e disse: um dia você vai aprender que amor não é uma coisa tão forte que, quando a gente divide, ele se multiplica.

Fica mais um pouco?

Oi você de cara amassadinha e cabelo bagunçado.


Não sorri assim pra mim não ou teremos que chamar os paramédicos.


Tá rindo, né? Deve estar imaginando como sou boba, mas eu não ligo.


Isso, não precisa ter pressa pra levantar, nem precisa se vestir (por favor não se vista)… Vou ali buscar o café quentinho que eu fiz - você gosta, né?


Sabia que até com essa cara recém acordada e fazendo careta pro café amargo - que você pediu puro - você é lindo?


Já faz tanto tempo, e eu sempre fico igual, assim, boba quando estou com você.


Espera aí, não chega tão perto, antes desse beijo quero perguntar uma coisa.


Se eu pedir, você fica mais um pouco?


E se eu pedir pra sempre?